OBRA PARADA PREJUDICA OS PACIENTES DO SANTA CATARINA
Geral
01.02.2011
TRIBUNA DO NORTE | NATAL
Publicado no dia 01/02/11
Paralisadas por falta de pagamento, desde outubro passado, as obras de ampliação do Hospital Santa Catarina, na zona Norte, engessam o atendimento no segundo maior hospital de emergência da cidade. A porta de entrada dos casos de urgência foi reduzida, literalmente, a saletas na área antes destinada somente ao centro obstétrico. O pronto-socorro interditado, corresponde a 20% do hospital, com 10 salas mais recepção que aguardam a retomada das obras.
Por causa da obra os 400 pacientes atendidos diariamente precisam exercitar a tolerânciaA reforma faz parte do projeto de ampliação e modernização de cinco setores: Pronto socorro infantil, laboratório de análises, Centro Obstétrico, Pronto Socorro Adulto e radiologia, os dois últimos ainda inacabados. O custo total foi orçado inicialmente em R$ 1,2 milhão, mas deverá sofrer alteração com a renovação do contrato com a construtora Gascon.
Contudo, observa o diretor geral da instituição Esaú Gerino, a demanda de pacientes não reduziu. Em média são realizados 400 atendimentos diários. “O número de atendimento não caiu, o que diminuiu foi nossa capacidade de internação. Estamos atendendo na medida possível”. Isto porque, das quatro enfermarias, duas foram cedidas para a clínica – uma masculina e outra feminina – reduzindo assim os leitos de internação de 24 para doze. Uma sala foi adaptada para repouso e outra para realização de pequenas cirurgias, como suturas e atendimento dos pacientes de risco.
O arranjo que levou o pronto socorro adulto e o setor de radiologia a dividir espaço com a clínica cirúrgica força os pacientes a se acomodar nos corredores para tomar soro. “Não há espaço na enfermaria, a prioridade é para os de risco laranja. Tive que tomar a medicação aqui mesmo”, disse a empregada doméstica Neide Souza Costa, de 27 anos, sentada no banco sem suporte para a bolsa, enquanto aguardava a volta para o médico. A paciente se queixava de tontura e dores fortes.
Ainda no corredor, duas filas de pacientes, um para consulta outra para o retorno do primeiro atendimento se cruzavam. “Há confusão se a gente passa na frente com um caso mais grave”, reclamou Maria Antonieta Araújo, que acompanhava o pai de 80 anos, com crise de hipertensão. “Não tem sequer onde acomodá-lo”, conclui.
O serviço de radiografia é feito por equipamentos móveis e dependendo da necessidade da imagem, o paciente é removido para os Hospitais Walfredo Gurgel, Maria Alice Fernandes e Giselda Trigueiro para fazer o exame e retornar para a consulta. A demora com a locomoção, de acordo com o chefe do setor de clínica médica Reinaldo Carlos de Lima, pode colocar em risco o socorro aos pacientes. “Até chegar o local de atendimento, que deixou de estar à porta e passou para uma área mais interna, a vida do paciente corre risco. Em salvar vidas, qualquer atraso é perigoso”, observa.
A logística também não ajuda os médicos que precisam se revezar entre os pacientes de classificação vermelha e laranja (casos mais críticos) dos de verde e azul (baixo risco).
O diretor administrativo Carlos Leão informou que encaminhou pedido de retomada da obra para a nova gestão e que a previsão é a abertura do Orçamento geral da União. Segundo Leão, 70% da obra já foi concluída.
De acordo com informações do setor de engenharia da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), a obra está parada porque precisou passar por readequações solicitadas pela Vigilância Sanitária e pelo governo anterior. As modificações geraram um reflexo financeiro num valor aproximado de 300 mil reais, o que representa 20% do valor da obra.
O processo, de número 129.868/2010, encontra-se para despacho na Secretaria de Infraestrutura do Governo, na Coordenadoria de Obras e Serviços (COS). A previsão é que, depois da abertura do orçamento do Estado, as obras sejam reiniciadas e concluídas num prazo de 4 meses.
A Tribuna do Norte tentou durante toda a manhã obter informações junto à Secretaria Estadual de Infraestrutura (Sin), sobre o valor da dívida com a construtora, quanto já foi gasto na obra, mas até o fechamento da edição não houve retorno às ligações.