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PA­RA­LI­SA­ÇÃO DOS MÉ­DI­COS E SER­VI­DO­RES DO MU­NI­CÍ­PIO CAUSA INÚMEROS TRANS­TOR­NOS PARA OS PA­CIEN­TES

Geral

24.09.2010

CORREIO DA TARDE | URGENTE

Por: Alex Costa

Publicado no dia 23/09/10

A sus­pen­são do aten­di­men­to obs­té­tri­co e in­fan­til da Ma­ter­ni­da­de Di­vi­no Amor, em Par­na­mi­rim, in­ter­di­ta­da pelo Con­se­lho Re­gio­nal de Me­di­ci­na (Cre­mern), acen­tua outro pro­ble­ma grave na rede es­ta­dual de saúde: a falta de lei­tos. A ma­ter­ni­da­de, con­si­de­ra­da mo­de­lo pelo Uni­cef, era res­pon­sá­vel pela co­ber­tu­ra de ou­tros dez mu­ni­cí­pios cir­cun­vi­zi­nhos, além da po­pu­la­ção de Par­na­mi­rim.

Sem pro­fis­sio­nais para aten­der, ges­tan­tes e crian­ças en­ca­mi­nha­das aos hos­pi­tais de Natal en­tram em outra fila de es­pe­ra. Na Ma­ter­ni­da­de Es­co­la Ja­nuá­rio Cicco, prin­ci­pal re­cep­to­ra, estes pa­cien­tes re­pre­sen­tam um acrés­ci­mo de 30% na de­man­da já con­si­de­ra­da alta. A de­ci­são do Cre­mern, to­ma­da na noite da terça-feira (21), se ba­seia na in­su­fi­ciên­cia de pro­fis­sio­nais. De acor­do com a mé­di­ca Maria da Guia de Me­dei­ros, com o fim da greve dos mé­di­cos re­si­den­tes na úl­ti­ma segunda-feira, em vigor desde agos­to, a Ma­ter­ni­da­de Ja­nuá­rio Cicco está ope­ran­do com 22 mé­di­cos em todas as áreas de aten­di­men­to e com todos os re­si­den­tes.

Porém, a ques­tão da greve mu­ni­ci­pal ainda não foi re­sol­vi­da. A pa­ra­li­sa­ção da ca­te­go­ria tem causado inúmeros transtorno. Um deles é a sujeira nos banheiros da maternidade. Maria da Guia afir­mou que isso ocorre de­vi­do ao mau uso das ins­ta­la­ções por pes­soas sem ins­tru­ção, pois a hi­gie­ni­za­ção ocorre cinco vezes ao dia. "Mui­tos pa­cien­tes são de lo­cais onde se­quer exis­te ba­nhei­ro, não sabem o que fazer e aca­bam fa­zen­do suas ne­ces­si­da­des no chão mesmo. Mas a lim­pe­za é imediata", afir­mou.

No Hos­pi­tal Mon­se­nhor Wal­fre­do Gur­gel, a greve gerou so­bre­car­ga nos aten­di­men­tos de ur­gên­cia e emer­gên­cia. O hospital pos­sui 260 lei­tos. Hoje pela manhã, no cor­re­dor da ala de emer­gên­cia haviam apro­xi­ma­da­men­te 50 lei­tos im­pro­vi­sa­dos. Ma­nuel An­tô­nio de Oli­vei­ra, 48, da Ci­da­de da Es­pe­ran­ça, foi atro­pe­lado na manhã de ontem (22), e deu en­tra­da no HWG às 11h30. "Fui bem aten­di­do, mas não fui informado do mo­ti­vo de estar aqui neste cor­re­dor. Tam­bém não comi nada, só estou no soro", afir­mou Ma­nuel.

De acor­do com o as­ses­sor de im­pren­sa do HWG, Mar­ce­lo Soa­res, a so­bre­car­ga acon­te­ce de­vi­do à pa­ra­li­sa­ção dos mé­di­cos do mu­ni­cí­pio, e que o maior hos­pi­tal es­ta­dual re­ce­be de­man­das que não são ca­bí­veis às suas es­pe­cia­li­da­des. Quan­do ques­tio­na­do sobre a amea­ça de uma pos­sí­vel in­ter­di­ção por falta de equi­pa­men­tos e me­di­ca­men­tos, o as­ses­sor disse que não pres­ta­ria es­cla­re­ci­men­tos sobre o tema. "Uma vez que o HWG não re­ce­beu ne­nhu­ma con­si­de­ra­ção acer­ca de uma in­ter­di­ção por parte do Con­se­lho Re­gio­nal de Me­di­ci­na, isso não passa de boato", disse.

Fonte: CORREIO DA TARDE | URGENTE