Pacientes buscam Justiça para garantir luta pela vida
Geral
28.10.2013
Daísa Alves – repórter
Ao descobrir que seu pulmão estava comprometido por um tumor de câncer, há dois anos, Joana (nome ficctício), 50, precisou enfrentar, além do problema de saúde, os tribunais judiciais. Exames, técnicas de cirurgia, medicamentos orais, precisaram ser requisitados judicialmente, pois o plano de saúde alegava que não poderia cobrir os procedimentos.
Para garantir mais assistência a pacientes e reduzir a recorrência à Justiça, como foi o caso de Joana, a Agência Nacional de Saúde Suplementar anunciou semana passada a inclusão de 87 novos procedimentos de cobertura obrigatória dos planos de saúde. Dentre eles, 37 medicamentos orais para o tratamento de câncer, novos exames e cirurgia com técnica de vídeo. A atualização valerá a partir de 2014. Caso as operadoras de saúde não cumpram o referido, poderão sofrer sessão de venda.
Joana preferiu não se identificar por que sua mãe não sabe de sua doença, devido ao avanço da idade, ela teme que ao ter conhecimento de seu estado de saúde ela venha também a ter complicações na saúde. Preocupações já lhe bastam as diversas negociações e discussões com o plano de saúde.
Logo ao descobrir o câncer no pulmão, seu plano de saúde não queria liberar o exame brancoscopia, mais específico e necessário para identificação do tumor. “A gerência do plano é em outro estado, para não liberar eles deram a justificativa que não tinha um hospital na cidade conveniado que pudesse fazer o exame”, conta. Foram mais de sessenta dias de espera.
O procedimento cirúrgico foi outro problema. Pelo direcionamento médico, deveria ser feito cirurgia por vídeo. A cirurgia era coberta, mas a técnica de vídeo não estava no rol de cobertura do plano. “Depois de muita insistência e ajuda dos médicos, consegui”, disse. Infelizmente a cirurgia não foi a definitiva para a cura de Joana.
Um tratamento via oral foi recomendado à paciente, ainda no ano passado, para o câncer que já estava metastizado. Foi uma nova luta. O plano alegava novamente que não havia cobertura também para este tratamento medicamentoso e Joana resolveu entrar com uma ação na Justiça. O medicamento se chama Tacerva, receitado com 150mg, e custa em torno de R$ 7 mil cada caixa.
Nos dois primeiros meses desse tratamento domiciliar, Joana contou com a colaboração de amigos que a ajudaram a obter a medicação. Até sair a determinação judicial para o concedimento da droga. “Paguei advogado para conseguir, e nessa época eu estava há três meses sem receber salário”, relata. Atualmente ela está sendo tratada com quimioterapia por via intravenosa, pela Liga Norte-Riogradense Contra o Câncer, em concernência da gerência da Liga. “A auditora do plano não está liberando mais, porque diz que meu caso não tem mais solução”.
ReproduçÃo: Tribuna do Norte