PACIENTES RECLAMAM DO DESCASO DA SMS
Geral
10.11.2010
TRIBUNA DO NORTE | NATAL
Publicado no dia 10/11/10
Após quase oito meses de espera, os pacientes de glaucoma começam a receber os colírios utilizados no controle da pressão interna ocular. A entrega do medicamento é feita para as pessoas cadastradas previamente pela Secretaria Municipal de Saúde através de atestado médico. Apesar de distribuído pela rede municipal de saúde, a verba para a compra dos produtos vem do governo federal, através de repasses. O glaucoma atinge 2% da população mundial, sendo mais comum em adultos e idosos.
“Eu passei dois meses sem utilizar o colírio porque sou aposentada e não tenho condições de comprar. Vim buscar três, mas só recebi um colírio”, comenta Maria de Lourdes dos Santos, 69 anos. Ela e mais duas irmãs sofrem do mesmo problema e dependem exclusivamente da ajuda municipal para manter o tratamento e, dessa forma, evitar a cegueira. Os colírios mais caros utilizados no tratamento da doença custam em média R$ 100 nas farmácias. O mais barato deles, e que continua em falta, é o Timolol.
O oftalmologista Pedro Cabral, alerta que o desuso contínuo dos colírios pode levar à cegueira irreversível. “Por ser uma doença que não causa dor, na maioria dos casos, o glaucoma, quando não controlado com o uso contínuo dos colírios pode cegar o paciente”. A maioria das vítimas de cegueira irreversível é de idoso que não consegue perceber a perda do campo visual, principal sintoma do início da cegueira irreversível.
O glaucoma consiste no aumento da pressão do olho e destrói gradativamente o nervo ótico com a perda do campo de visão. Os casos mais comuns são entre os adultos e idosos, porém também ocorrem em crianças. Os colírios são de suma importância para o tratamento dos portadores da doença e devem ser usados diariamente.
A falta de medicamentos na saúde municipal não é um caso novo e não se restringe a medicamentos de alto custo. Em alguns hospitais da rede municipal faltam até material de higiene e limpeza. Os colírios disponíveis no Centro Clínico Zeca Passos, na Ribeira, são: brimonidina, bimatoprosta, dorzolamida, travatan e latanoprosta.
Além do uso dos colírios, por quem já é portador da doença, uma das formas de diagnosticar o aumento da pressão ocular é com a periódica consulta no oftalmologista. “Não é possível identificar o glaucoma sem o exame específico”, alerta Dr. Pedro, enquanto examina o aposentado Denis Bezerra da Silva, 73 anos.
O secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, afirmou em reportagem publicada pela TRIBUNA DO NORTE no dia 17 de setembro, que todo o problema de falta de medicamentos seria resolvido com a implantação do Programa Farmácia da Gente que seria lançado, em princípio, em outubro. O objetivo do projeto é que a prefeitura compre medicamentos da rede comercial com o objetivo de sanar as necessidades de todas as unidades de saúde.
Em relação ao problema da falta dos colírios na rede municipal que afeta crianças, adultos e idosos, ele diz que o processo de compras está concluído. “O pedido de aquisição desses itens está pronto e ainda essa semana começaremos a distribuir os colírios que não vieram juntos com os que estão sendo distribuídos atualmente.”