PACIENTES VIVEM CLIMA DE TENSÃO - Quem espera operação vascular assusta-se com piora de pessoas que já submeteram-se a cirurgia, realizada em Mossoró
Geral
14.10.2010
DIÁRIO DE NATAL | CIDADES
Por: Andrielle Mendes
Publicado no dia 14/10/10
Enquanto o governo do estado não viabiliza a realização de cirurgias de revascularização em Natal, os pacientes que aguardam uma angioplastia ou by pass no Walfredo Gurgel estão sendo enviados para Mossoró, na região Oeste. De acordo com especialistas, alguns pacientes estão voltando piores do que foram. Através da assessoria de imprensa, o secretário de saúde do estado, George Antunes, informou que não se pronunciaria até "que tudo estivesse resolvido". Ele também não informou para onde os pacientes estão sendo encaminhados.
De acordo com o chefe de cirurgia vascular do Walfredo Gurgel, Edison Barreto, os pacientes que precisam realizar uma angioplastia são encaminhados para o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol) e os que precisam de um by pass são encaminhados para Mossoró. Segundo o especialista, alguns pacientes foram encaminhados para Mossoró, fizeram a cirurgia e precisaram ser amputados urgentemente quando retornaram a Natal, sendo que alguns retornaram em "estado gravíssimo".
Eugênio Lopes é especialista em cirurgia vascular e trabalha no Walfredo Gurgel. Ele confirma a informação repassada por Edison Barreto. "É verdade. Vários pacientes foram transferidos para Mossoró e voltaram em estado grave. Na terça-feira, eu estava de plantão e vi dois pacientes que haviam retornado ao Walfredo em estado preocupante. Uma delas estava em estado grave. Não sei o que está sendo feito em Mossoró. O que sei é que os pacientes foram para lá e voltaram piores".
Atualmente, 18 pessoas, a maioria idosos, aguardam uma cirurgia de revascularização no Walfredo Gurgel. Diariamente, chegam dois, três pacientes em busca de uma angioplastia ou by pass. Boa parte deles corre o risco de ter um membro ou parte de um amputado, caso a cirurgia não seja realizada a tempo. Pacientes e familiares estão preocupados com a transferência dos pacientes para Mossoró.
Espera angustiante
Francisco Ferreira da Silva, 60, aguarda a cirurgia há dois meses. Ele prefere perder o dedo necrosado a esperar o by pass e comprometer a perna inteira. Seu Antônio Martins Neto, 67, ocupa a mesma enfermaria há um mês e 15 dias. Quando chegou, um dos dedos do pé estava necrosado. Agora já são os três. A filha lamenta o avanço da necrose, mas teme a transferência do pai para Mossoró. "Disseram que meu pai vai ser encaminhado para Mossoró. Eu estou preocupada. Algumas pessoas foram transferidas e voltaram pior", afirma a professora Zenilde do Nascimento Martins, 38, filha de seu Antônio.
Maria Mônica da Silva, 34, também não concorda com a transferência da mãe Maria Luiza da Silva, 68. Há alguns anos, Maria Luiza precisou se internar, fez uma cirurgia de revascularização e amputou um dedo e um calcanhar. Anos depois, a necrose reapareceu num outro dedo. Ela está internada há um mês e oito dias e ainda não sabe a data da cirurgia.
Memória
No dia 28 de agosto, o governo do estado foi condenado a pagar 57 cirurgias vasculares já realizadas no Hospital do Coração de Natal pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a custear mais 13 cirurgias vasculares agendadas. Para garantir o pagamento, o juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública, Luiz Alberto Dantas Filho, autor da decisão, determinou o bloqueio de R$ 853.528,56 da conta do estado. Deste total, R$ 668.792,06 seriam usados para quitar a dívida e R$ 184.736,50 para assegurar a realização das outras cirurgias.