Pagamento do mês de dezembro continua indefinido para os servidores da saúde
Geral
09.02.2013
Data: 08 fevereiro 2013 – Hora: 17:56 – Por: Portal JH
Em defesa de 644 servidores da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) que estão sem receber os salários de dezembro e janeiro, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde) iria realizar um ato público nesta sexta-feira (8) em frente à Governadoria, mas foi interceptado para uma reunião com a chefe de Gabinete Civil, Janine Silveira. De acordo com a líder sindical Sônia Godeiro, os contracheques referentes ao mês de janeiro já estão sendo emitidos e o salário deverá ser pago no dia 15 de fevereiro. Em relação ao pagamento de dezembro, ainda não se sabe como será realizado.
“A chefe de Gabinete fez ligações para as secretarias de Administração e Planejamento, as quais garantiram que o salário de janeiro seria repassado na próxima semana. Mas pelo o que vimos, eles não querem pagar o mês de dezembro. Disseram que não sabem como será procedido. Diante disso, continuaremos a nossa batalha. A assessoria jurídica está entrando com ações judiciais e indenização por danos morais e materiais, pois muitas pessoas estão em situação de desespero, sem condições de pagar suas contas”, disse a sindicalista.
A razão da não prestação de contas com os trabalhadores é um problema consequente do recadastramento dos servidores da saúde, realizado pelo Governo do Estado em novembro do ano passado, para identificar a existência de “servidores fantasmas”. O objetivo do recadastramento era identificar possíveis problemas advindos de maus funcionários, que poderiam estar na folha de pagamento da Sesap sem sequer estar trabalhando para a saúde pública. Após o prazo estipulado para recadastramento, a Secretaria identificou que mais de 600 pessoas não haviam respondido ao censo.
“A Secretaria de Saúde inventou esse recadastramento em cima da hora, estabelecendo um pequeno prazo para os servidores responderem ao censo. Devido uma falha na divulgação do processo obrigatório de comparecimento, muitas pessoas não puderam se apresentar, pois estavam de férias, de licença, ou simplesmente não tiveram conhecimento do recadastramento”, afirmou Sônia Godeiro, presidente do Sindsaúde.
Como vários servidores procuraram a Secretaria de Administração e Recursos Humanos com seus respectivos comprovantes de cadastro, garantindo o exercício das horas de trabalho, foi aberta uma nova oportunidade para que esses servidores respondessem ao censo. Com o novo cadastro, os servidores regularizaram a situação e deveriam ter recebido os pagamentos de dezembro e janeiro no último dia 29 de janeiro, conforme garantido pelo secretário.
Entretanto, segundo informou o Sindsaúde, o secretário de Administração e Recursos Humanos voltou atrás – sem alegar motivos plausíveis – e disse que não há perspectiva de pagamento. Os advogados do Sindsaúde estão trabalhando para viabilizar um mandado de segurança que possa garantir o pagamento desses servidores. Segundo Sônia, algumas pessoas prejudicadas com a falta de comprometimento do governo chegaram a ameaçar outros servidores que são responsáveis pela folha de pagamento.
Eleições no Sindsaúde
Na madrugada desta sexta-feira (8), os sindicalistas que compõem o Sindsaúde estavam reunidos para saber a nova composição da diretoria. Com 52,8% dos votos válidos, a chapa de Oposição, liderada por Simone Dutra, venceu a chapa composta pela atual diretoria, que estava à frente do Sindicato há 20 anos. Ao todo foram 6.104 votos válidos. A nova direção assumirá o sindicato a partir do dia 11 de fevereiro com um discurso de reconstrução do sindicato.
“Se a maioria decidiu, a gente tem que aceitar. Nem toda mudança é benéfica, mas iremos cumprir com o nosso papel até o último dia de mandato”, disse Sônia Godeiro. A diretora do Sindsaúde fez questão de esclarecer as mudanças conquistadas nesse tempo em que esteve liderando o grupo. “Pegamos o sindicato com apenas 1,8 mil associados. Hoje já possuímos cerca de 14 mil. Não tínhamos nada estruturado e hoje temos uma patrimônio avaliado em R$ 3 milhões”, afirmou.