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Parte das unidades aguarda reformas

Geral

30.01.2014

Após 180 dias em situação de calamidade pública, a rede municipal de saúde ainda apresenta pontos críticos  irresolutos. O decreto chegou ao fim neste último domingo, 26. Mas, em unidades como o Pronto-Socorro de Cidade Satélite, prevista para ser referência de atendimento na Copa do Mundo, e na Unidade Básica de Saúde de Pajuçara, as obras de reforma nem iniciaram. A Maternidade Leide Morais ainda está fechada e continua em obras, com prazo de conclusão dilatado por duas vezes. A previsão inicial de entrega era para dezembro de 2013, no entanto foi adiada para março de 2014. A Tribuna do Norte visitou ontem cinco unidades de referência da cidade e averiguou o resultado do incremento financeiro à rede para estes locais.
Os seis eixos principais de atuação previstos no Plano de Ação elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) – infraestrutura física e manutenção; assistência farmacêutica, equipamentos e material permanente; acesso aos serviços de saúde; e recursos humanos – demandavam o investimento de R$ 8 milhões, sendo R$ 5 milhões do Orçamento Geral do Município e os outros R$ 3 milhões do Ministério da Saúde.
Deste total, não se tem informação do quanto foi utilizado, visto que o detentor da informação, secretário da SMS Cipriano Maia, não pode conceder entrevista ontem. No Plano, divulgado em agosto de 2013, foram listados 21 unidades de saúde da atenção básica e especializada para recuperação da estrutura.
Para o Pronto-Socorro de Cidade Satélite, que atende toda zona sul e municípios do RN, era previsto a maior quantidade de recurso, R$ 800 mil. Conforme Arlindo Almeida, administrador da unidade, parte do prédio está interditado, e será necessário demolir para nova construção. A falta de medicamento é crônica. Decadron, penicilina, bezentacil, tilatil, captopril estão em falta.
Enquanto isso, no Hospital dos Pescadores, também listado para receber novos equipamentos e medicamentos farmacêuticos, a melhoria ainda é falha. A  fotógrafa Catarina das Vitória Mendes precisou ir à procura de uma farmácia, porque naquela unidade de saúde não tinha medicamento para tratar da luxação num pé. “Aqui tem médico, que é mais difícil e mais caro, mas não tem  remédio, que é é mais barato”, disse o marido dela, o servidor público João Martins Souza. Ela precisava do analgésico Paracetamol e o  anti-inflamatório Decadron.
Apesar da falta de pediatras na Unidade de Pronto-Atendimento do Pajuçara, por exemplo, o Centro de Referência Sandra Celeste está com atendimento normalizado depois da implantação da classificação de risco; com equipe completa de   plantonistas formada, diariamente, por três pediatras, um enfermeiro, dois bioquímicos, um dentista, um farmacêutico e um assistente social.
Em nota divulgada no início desta semana, a SMS informa sobre melhorias na manutenção e recuperação de 75 unidades de saúde do município e contabiliza investimentos, entre outras coisas, na aquisição de um gerador de energia e aparelho de raio X para o Hospital dos Pescadores, na abertura da UPA da Cidade da Esperança e instalação do serviço de raio x no Sandra Celeste. A SMS informa que já foi assinada no dia 17 deste mês a ordem de serviço para  reformas em várias unidades de saúde, além ter feito a licitação para a construção das novas UPAs da Cidade Satélite e Potengi e  de oito unidades básicas.
A SMS também admite, na nota, que “ainda é grande a carência de pessoal, o que terá um equacionamento parcial com a contratação de um novo contingente de servidores temporários nos próximos 60 dias”. O edital do Processo Seletivo Simplificado deverá ser publicado até a próxima semana e com a seleção de pessoal para as diversas áreas da saúde, inclusive administrativa. Em processo seletivo simplificado encerrado em setembro de 2013, o número de médicos inscritos foi insuficiente para ocupar todas as vagas.

1 – Hospital dos Pescadores, nas Rocas
Referência de Pronto-Socorro para a zona leste de Natal. Atualmente, passa por obras de melhoria e adequação em ritmo lento. Foram adquiridos para a unidade um gerador de energia e aparelho de raio x. No entanto, há falha no oferecimento de medicamentos básicos para o atendimento, como anti-inflamatórios e analgésicos.

2 – Pronto-Socorro Infantil Sandra Celeste
Funciona em regime de plantão 24 horas, com escala das 7 às 19 horas e de 19 horas à 7 horas. Segundo administração da unidade, o número  de pacientes diminuiu de 400 para cerca de 200 por dia, em média, depois da implantação da classificação de risco, restringindo o atendimento à urgência e emergência.

3 – Unidade Mista de Cidade Satélite
Escolhido para ser Pronto-Socorro de referência para a Copa do Mundo, na unidade não há sinal algum de reforma. Quase metade do prédio está interditado e vai ser demolido. Cobertura de gesso e PVC caída, vidraça quebrada, fiação exposta. A parte interditada, que servia de ambulatório, foi transferida para o prédio a duas quadras de distância, e só funciona durante a semana. No final de semana, serviços como a esterilização de equipamentos de emergência, de nebulização, são prejudicados, pela falta de local apropriado. “Se tivermos duas paradas cardíacas em um dia ficamos sem material”, relata Gorete Araújo, chefe de enfermagem.

4 – Maternidade Leide Morais
A colocação de telhas e troca de pisos foi concluída. Os operários trabalham agora na colocação de gesso e pintura. Das 19 suítes, 15 já estão prontas. A equipe se dedica a parte de maternidade, e posteriormente segue para o setor de pronto-atendimento, onde falta somente a pintura.

5 – Unidade Básica de Saúde de Pajuçara
A unidade já foi utilizada como pronto-socorro e atualmente serve como posto de saúde, no serviço de consultas. Como em Cidade Satélite, parte do prédio está interditado. O teto caiu e os destroços ainda estão no local.  Completamente abandonado, o portão de acesso ao terreno não possui fechadura alguma.  À frente, pichações, ferrugens, muro deteriorado. A parte utilizada a TN não teve acesso pois o posto já havia fechado, às 17h.

Fonte: Tribuna do Norte