‘PODERIA TER MORRIDO SEM A UTI’
Geral
30.08.2010
JORNAL DE FATO | MOSSORÓ
A dona-de-casa Josiane Linhares estava grávida de gêmeos, teve um parto complicado e acabou perdendo um dos seus dois bebês. Mas o desfecho final da história dessa moradora do município de João Dias, a cerca de 200 quilômetros de Mossoró, poderia ter sido ainda mais trágico. "Eu poderia ter morrido ou perdido meus dois filhos se não tivesse encontrado um leito de UTI aqui em Mossoró", relatou Josiane.
O relato mostra o quanto é mínima a estrutura de saúde no Rio Grande do Norte. Hoje, Josiane sorrir com o pequeno Kaio nos braços, mas outras mães podem estar chorando neste momento por não ter tido a mesma sorte.
Governo diz que maternidade não tem estrutura
O coordenador de planeja-mento e controle dos serviços da saúde da Secretaria Estadual da Saúde, José Renato, declarou que a Maternidade Almeida Castro não tem condições de credenciar três novas UTIs Neonatal. Segundo ele, a maternidade tem estrutura limitada e deveria buscar o credenciamento dentro de sua realidade. "Falta equipamento e profissionais, por exemplo, para que a maternidade ganhe condições", relatou José Renato, acrescentando que a maternidade sempre busca credenciar um número de UTIs que sua estrutura não comporta. "No ano passado, eles queriam credenciar seis UTIs quando tinha condições apenas para três", observou, em tom crítico.
José Renato contou que existe um processo em curso para o credenciamento que terá que passar por toda tramitação normal. Revelou também que solicitou revisão nos documentos apresentados pela direção da maternidade. "Se a maternidade não tem condições de credenciar três UTIs, que faça a solicitação de uma", orientou.
Sobre a ação movida pelo Ministério Público (MP) para a implantação imediata das UTIs, José Renato respondeu que "não é porque o MP determinou que será feito".
O coordenador acrescentou também que alguns equipamentos já se encontram em Natal, mas serão entregues na própria maternidade pelo Ministério da Saúde.
Maternidade pública será discutida em audiência
A instalação de uma maternidade pública em Mossoró será discutida em audiência pública no próximo dia 24 de setembro. O promotor de defesa da saúde de Mossoró, Guglielmo Marconi, destacou que essa é uma necessidade do Município. "A maternidade ficaria responsável pelos partos normais, enquanto que a privada pelos de alta complexidade", observou, lembrando que hoje a maternidade Almeida Castro é responsável por tudo.
Para Guglielmo, a maternidade pública é a solução para controlar o crescimento dos índices de mortes materna e infantil.
A gerente municipal da Saúde, Jaqueline Amaral, falou que a intenção da Prefeitura de Mossoró é montar uma maternidade pública de forma conjunta com os demais municípios que são atendidos por Mossoró. "Seria importante que o estado criasse um consórcio para custear esse serviço, que atende Oeste e Alto Oeste, pois Mossoró não tem condição de bancar uma maternidade sozinha", argumentou ela.
Jaqueline advertiu que Mossoró já tem um alto déficit financeiro porque está se responsabilizando sozinha por 16 municípios da região. "A maternidade faz 500 partos por mês. Metade é de fora", afirmou, lembrando que a sobrecarga é muito grande.