POPULAÇÃO DEVE TOMAR CUIDADO COM MEDICAMENTOS NATURAIS COMERCIALIZADOS POR VENDEDORES AMBULANTES
Geral
18.10.2010
O MOSSOROENSE | COTIDIANO
Publicado no dia 18/10/10
"Olha o remédio. É bom para dor de cabeça, dor de ouvido, inflamações na pele, cálculo renal e cólicas menstruais. Além disso, previne contra nove tipos de células cancerígenas, inclusive câncer de próstata e câncer de mama", diz um dos carros de som ao passar pelas ruas do Centro da cidade vendendo o medicamento conhecido como óleo da copaíba. A caminhada do veículo é lenta: são muitas as pessoas que param para comprar a medicação.
"Estou passando um creme num corte que sofri quando me acidentei de moto. A cicatrização está bem mais rápida", afirma um dos compradores. O vendedor, por sua vez, garante a eficácia do remédio. De acordo com ele, a substância – cuja origem é uma misteriosa madeira que vem de Marabá (cidade do interior do Pará) – passou por testes em universidades do Ceará e de São Paulo. "Isso aqui já deu até em matéria nacional. É bom para quase tudo", garante.
A medicação é vendida em dois tipos: creme – mais direcionado para tratamento de qualquer tipo de dor – e óleos – cuja principal função é a anti-inflamatória. O vendedor ambulante não é o único que vende o remédio. É possível encontrá-lo também em algumas prateleiras de supermercados e em vários sítios na internet. Apesar disso, não se encontra, no recipiente, qualquer evidências de testes científicos de universidades nem da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outro fato curioso é que nenhum dos cinco profissionais da área da saúde com quem a reportagem entrou em contato conhece a fundamentação médica da substância, apesar de alguns já terem ouvido falar do produto. O dermatologista Gustavo Barreto diz que a população precisa ficar atenta na hora de comprar e consumir o remédio. "Não é porque é natural que uma substância pode ser consumida livremente", esclarece.
"Desconheço na literatura médica qualquer creme ou óleo que sirva para tramar câncer de próstata, uma doença que age no interior do corpo. Uma coisa nada tem a ver com a outra", explica o especialista. Além disso, ele recomenda que, qualquer que seja a medicação – mesmo aquelas de farmácia e com eficácia comprovada – devem ser usadas apenas sob orientação profissional. "A população deve em primeiro lugar procurar um médico, e sempre desconfiar desses produtos".