REUNIÃO DO PODER PÚBLICO MUNICIPAL COM SERVIDORES DA SAÚDE É REMARCADA
Geral
06.10.2010
CORREIO DA TARDE | CORREIO NATAL
Por: Alex Costa
Publicado no dia 05/10/10
Os servidores municipais da saúde mostraram que a greve pode esquentar ainda mais. Depois da assembléia na tarde desta segunda-feira (04) no auditório do Sinte, a categoria saiu em passeata até a Prefeitura conseguindo uma audiência para hoje (05), que não aconteceu, uma vez que a exigência de unir o Sindsaúde e o Sinsenat na mesma reunião não foi aceita pelo titular da Secretaria Municipal de Saúde, Kalazans Bezerra.
Os servidores se concentraram na Câmara para impedir que a votação do projeto fosse feita sem o conhecimento deles. A reunião foi remarcada para as 15h, porém se a negociação não caminhar, a a greve continua por tempo indeterminado.
Na assembléia dos sindicatos, os trabalhadores avaliaram a estratégia da Prefeitura de dividir o movimento e tentar fazer com que o projeto seja votado sem as devidas alterações. Foi votada também a necessidade de se estabelecer um calendário que dê visibilidade ao movimento. Amanhã (06), haverá um Ato Público contra as terceirizações e privatizações efetuadas pela administração municipal, no posto de Cidade da Esperança, a partir das 9h.
Na última sexta (01), representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Natal (Sinsenat) e do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde-RN), realizaram mobilização no Posto de Saúde do Parque das Dunas. Os representantes dos sindicatos constataram a falta de material hospitalar e de higiene, além de condições de trabalho precárias na unidade. A greve completa 25 dias hoje.
Segundo a presidente do Sinsenat, Ana Maria da Silva, a prefeitura passará a pagar R$ 28 por um hemograma que custava R$ 0,80 anteriormente. A Secretaria de Saúde fechou acordo com o laboratório DNA Center, onde serão feitos todos os exames de sangue a partir de agora. "A prefeitura começou a retirada das máquinas de hemograma de todas as unidades de saúde", garantiu.
Os servidores reivindicam, entre outros pontos, melhores condições de trabalho e o atendimento das solicitações enviadas à Câmara Municipal. "A greve continua por tempo indeterminado até que sejam resolvidas as pendências dos servidores da saúde", ressalta Ana.
Outro ponto apontado por ela é a demanda ambulatorial externa, em unidades como a Maternidade das Quintas, que não está sendo atendida pelos 30% dos servidores que continuam trabalhando. Apenas os procedimentos de urgência e emergência estão sendo realizados no local. Para os funcionários, a greve é a única forma de chamar a atenção do governo municipal. "O médico, para trabalhar bem, precisa da equipe. Precisamos ser valorizados", dizem os servidores.
Privatização
Segundo Célia Dantas, coordenadora do Sindsaúde, os trabalhadores vêm denunciando a política de privatização sem qualquer planejamento da Prefeitura de Natal, iniciada com as cooperativas médicas e com a terceirização dos serviços de ASG e vigilância. A ação teve continuidade com a construção das Unidades de Pronto Atendimento e posterior entrega para a administração privada, além de convênio com empresa de serviços laboratoriais, excluindo trabalhadores e equipamentos da rede básica do processo. Na última sexta-feira (01) foi publicada no Diário Oficial um convênio com Organizações Sociais para gerenciar cinco unidades básicas de saúde.
"O Sindsaúde sempre defendeu um programa de saúde pública de qualidade e por isso conclama a todos para se manifestar contra esse quadro absurdo que se desenha na administração de nosso município", concluiu Célia.