RN está sem laboratório de genética
Geral
18.10.2013
Há dez meses, as obras de ampliação do Laboratório de Genética Humana, dentro do Centro de Reabilitação Infantil (CRI) estão paradas. A previsão era de que a reforma, que começou em outubro de 2012, fosse concluída em dois meses. Mas em dezembro de 2012, a Construtora IM Ltda. suspendeu a obra por falta de pagamento da fatura da 3ª medição, no valor à época de R$ 10.171,97. Com o atraso, o Estado – apesar de já dispor de equipamentos como microscópios de última geração e profissionais qualificados – está sem condições de fazer exames para diagnosticar a prevalência para síndromes genéticas ou mesmo para apontar a melhor forma de tratar uma doença.
O Laboratório de Genética é o único do serviço público de saúde. Está em funcionamento desde 1988. As obras estão 80% concluídas, mas em algumas salas faltam bancadas, além da colocação de portas e janelas. Em razão disso, a unidade acumula insumos, como reagentes químicos sem uso e em vias de passar da data de vencimento. Microscópios de última geração, adquiridos em 2007 por R$ 271,5 mil e outros três no valor de R$ 10 mil cada, estão em desuso.
“A previsão era de dois meses, mas está parada até agora”, disse o chefe do Laboratório de Genética Humana, bioquímico Elias Guilherme Lino. Em 17 de maio deste ano o secretário estadual de Saúde Pública, Luiz Roberto Fonseca, já havia visitado o CRI, ocasião em que garantir aos servidores a conclusão das obras, que começou em outubro de 2012. Passaram-se cinco meses e as obras não foram reiniciadas. Um quarto aditivo relacionado ao cronograma de obras, prevê o fim da reforma do CRI/CRA para dezembro deste ano.
Segundo Elias Lino, atualmente, 5% das crianças recém-nascidas possuem alguma síndrome genética. Ou seja, a cada 100 nascimentos, cinco são geneticamente doentes. O Rio Grande do Norte é um dos dois estados do país com maior índice de pessoas com deficiência – 27,8% de sua população (882.022 habitantes), segundo o Censo de 2010 do IBGE.
“A gente está deixando de fazer um diagnóstico preventivo e contra a recorrência familiar, que podia evitar de nascer uma criança doente ou apontar a melhor forma possível de tratar uma doença”, declarou Elias Lino, que também teme perder profissionais capacitados, inclusive com doutorado, “que estão se queixando da falta de trabalho” e já pensam em pedir transferência para outras unidades de saúde.
Lino afirmou que dependendo da enfermidade, “uma criança pode sofrer um atraso na locomoção motora, neurológico, mental ou psicológico irreversível se precocemente não houver o diagnóstico da doença”. O chefe do Laboratório de Genética estima que, por conta do atraso das obras, a demanda reprimida chega a 1.000 pacientes, no decorrer de um ano. “O mais grave é que são pessoas que já têm indicação clínica [precisam de uma investigação para confirmar se têm ou não uma doença genética]. A escolha não ocorre aleatoriamente. E em casos positivos, terá que ser iniciada a conduta terapêutica imediatamente para evitar sequelas nos pacientes”, explicou.
Reprodução: Tribuna do Norte