Saúde registra dobro de casos de coqueluche no primeiro semestre na comparação com todo 2010
Geral
26.09.2011
Apesar do aumento de casos este ano, o ministério nega um surto da doença no país. De acordo com o governo federal, a cada cinco anos, ocorre uma elevação no número de casos e, depois, eles voltam a cair. A sazonalidade está relacionada ao percentual de cobertura vacinal das crianças a cada ano, já que estima-se que 5% das crianças deixam de ser vacinadas e, com decorrer do tempo, ocorre um acúmulo de pequenos sem proteção.
O calendário prevê a vacina contra a coqueluche junto com a de difteria e tétano, a partir dos 2 meses de idade até os 7 anos de idade e protege por quase uma década. Não há previsão de vacinação para adultos.
O governo não cogita incluir a vacina para adultos nos postos de saúde por não considerar uma estratégia eficiente, já que menos de 30% da população adulta aderem às campanhas de vacinação. A recomendação das autoridades de saúde é reforçar a vacina entre as crianças e que os pais atualizem o cartão de vacinação dos filhos. O ministério destaca que, na década de 90, o país registrava mais de 15 mil casos de coqueluche por ano. Com o uso da vacina, os números passaram a decrescer.
Para o pediatra da Associação Paulista de Medicina (APM), José Hugo Pessoa, o aumento de casos de coqueluche está relacionado à transmissão da doença dos adultos para as crianças. Na fase adulta, a coqueluche se manifesta de forma leve e, muitas vezes, é confundida com outras doenças. Por isso, os adultos podem transmiti-la às crianças sem saber. Na infância, principalmente entre os menores de 1 ano de idade, há maior risco de complicações, como o desenvolvimento de pneumonia. “Nos adultos, a gravidade é pouca. Nos primeiros meses de vida, tem mais complicações”, disse o pediatra. “É um sinal de alerta”, acrescentou, sobre o aumento de casos.
Fonte: Agência Brasil