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SERVIDORES DO SAMU METROPOLITANO SUSPENDEM ATIVIDADES POR 24 HORAS

Geral

26.11.2010

CORREIO DA TARDE | URGENTE

Por: Michelle Phiffer

Publicado no dia 25/11/10

Os ser­vi­do­res ter­cei­ri­za­dos do Samu Me­tro­po­li­ta­no rea­li­zam nesta quinta-feira (25), uma pa­ra­li­sa­ção de 24 horas de todos os ser­vi­ços, de­vi­do ao atra­so no pa­ga­men­to. Ape­nas 30% dos fun­cio­ná­rios estão tra­ba­lhan­do.

Se­gun­do o di­re­tor de co­mu­ni­ca­ção do Sin­di­ca­to dos Tra­ba­lha­do­res em Saúde do Rio Gran­de do Norte (Sind­saú­de/RN), Paulo Mar­tins, esses fun­cio­ná­rios tam­bém que­rem ga­ran­tias de que não serão pre­ju­di­ca­dos pela se­le­ção que o con­sór­cio es­ta­dual está fa­zen­do para a con­tra­ta­ção de pes­soal.

Paulo Mar­tins des­ta­cou que os tra­ba­lha­do­res que pres­tam ser­vi­ço à em­pre­sa JMT estão com os sa­lá­rios atra­sa­dos desde o iní­cio do mês. A em­pre­sa teria pa­ga­do, com re­cur­sos pró­prios, três meses de sa­lá­rios. "A JMT não tem mais con­di­ções de arcar com o pa­ga­men­to, pois há qua­tro meses não re­ce­be o re­pas­se do go­ver­no. Sem o pa­ga­men­to, os ser­vi­ços estão pa­ra­li­sa­dos. Só ficam 30% dos fun­cio­ná­rios", disse Paulo.

A Se­cre­ta­ria Es­ta­dual de Saúde in­for­mou que o atra­so foi cau­sa­do pela de­mo­ra no envio dos con­tra­tos pela em­pre­sa e, por isso, o re­pas­se ainda não foi feito. Já a em­pre­sa que ter­cei­ri­za os ser­vi­ços, alega que há uma bu­ro­cra­cia muito gran­de no re­pas­se desse pa­ga­men­to. A JMT alega que há qua­tro meses não re­ce­be o di­nhei­ro e ainda não sabe como vai fazer para os pa­ga­men­tos que fal­tam até o final do ano.

De acor­do com Paulo Mar­tins, a em­pre­sa co­mu­ni­cou que sua obri­ga­ção era de ga­ran­tir o pa­ga­men­to dos três pri­mei­ros meses de sa­lá­rio, após isso o pa­ga­men­to só será feito me­dian­te o re­pas­se do Go­ver­no.

Entre os 100 fun­cio­ná­rios ter­cei­ri­za­dos estão as te­le­fo­nis­tas, o pes­soal da lim­pe­za, os ope­ra­do­res de rádio ama­do­res e al­guns con­du­to­res de am­bu­lân­cia. Esses úl­ti­mos re­ce­bem cerca de R$1.100 de sa­lá­rio.

Além dos sa­lá­rios atra­sa­dos há dois meses, os ser­vi­do­res re­cla­mam das más con­di­ções de tra­ba­lho. Se­gun­do eles, vá­rias via­tu­ras estão que­bra­das es­pe­ran­do pelo con­ser­to a mais de um ano, fal­tam os equi­pa­men­tos ne­ces­sá­rios para a lim­pe­za dos re­sí­duos quan­do eles re­tor­nam das ocor­rên­cias e exis­te ape­nas um ba­nhei­ro para todas as equi­pes.

Os fun­cio­ná­rios dis­se­ram que essa pa­ra­li­sa­ção é ape­nas um aviso para que as au­to­ri­da­des tomem al­gu­ma ati­tu­de quan­to à sua si­tua­ção. No en­tan­to, eles avi­sa­ram que se não re­ce­be­rem ne­nhu­ma po­si­ção do Go­ver­no até o final da tarde de hoje (25), vão sus­pen­der as ati­vi­da­des por tempo in­de­ter­mi­na­do.

Além dos ser­vi­do­res da Samu, fun­cio­ná­rios da saúde de todo o Es­ta­do tam­bém fi­ze­ram uma mo­bi­li­za­ção na manhã desta quinta-feira. Eles saí­ram do largo do Ma­cha­di­nho até à go­ver­na­do­ria para co­brar o pa­ga­men­to da mu­dan­ça de nível e do terço de fé­rias dos meses de ou­tu­bro a de­zem­bro de 2010.

A mu­dan­ça de nível é uma pro­gres­são na car­rei­ra pre­vis­ta no PCCR im­plan­ta­do em 2006. De acor­do com o Sind­saú­de, isso foi uma exi­gên­cia do go­ver­no que para pro­gre­dir na car­rei­ra o ser­vi­dor fosse ava­lia­do por uma co­mis­são, o que de­mo­rou qua­tro anos para acon­te­cer e só houve de­pois da greve ocor­ri­da no final de 2009. "Se o go­ver­no não pagar o que é nosso de di­rei­to, vamos ter que, mais uma vez, fazer greve", disse.

O se­cre­tá­rio es­ta­dual de Pla­ne­ja­men­to Nel­son Ta­va­res ga­ran­tiu que o go­ver­no pa­ga­rá o acor­do com os ser­vi­do­res da saúde e o sa­lá­rio dos fun­cio­ná­rios do Samu. "O Go­ver­no fe­de­ral co­me­teu um erro e não re­pas­sou cerca de R$230 mi­lhões para o RN", de­cla­rou.

Ter­cei­ri­za­ção

Re­cen­te­men­te, a di­re­to­ra do Con­sór­cio In­ter­mu­ni­ci­pal do In­te­rior, Selma San­tia­go, in­for­mou que Samu do In­te­rior ainda não en­trou em fun­cio­na­men­to por falta de pes­soal qua­li­fi­ca­do. Em res­pos­ta as de­cla­ra­ções da di­re­to­ria, o Sind­saú­de in­for­mou que hoje exis­te sim pes­soal qua­li­fi­ca­do, pois todos que estão tra­ba­lhan­do no Samu pas­sa­ram pelos hos­pi­tais da ci­da­de.

Paulo Mar­tins des­ta­cou que a ver­são da di­re­to­ra do Con­sór­cio não é ver­da­dei­ra, pois exis­tem pro­fis­sio­nais para co­brir a de­man­da, mas pre­fe­rem dar prio­ri­da­de a quem está en­tran­do agora e não estão ca­pa­ci­ta­do para as si­tua­ções en­fren­ta­das no dia a dia do Samu.

"Exis­tem pro­fis­sio­nais con­cur­sa­dos no Es­ta­do que po­de­riam ser cha­ma­dos para a de­man­da. Caso os novos ser­vi­do­res ainda não te­nham qua­li­fi­ca­ção para tal ser­vi­ço, basta abrir ins­cri­ção na rede hos­pi­ta­lar e fazer a trans­fe­rên­cia do pes­soal", diz o di­re­tor.
Paulo Mar­tins co­men­tou tam­bém que o que está acon­te­cen­do é uma forma de jus­ti­fi­car a ter­cei­ri­za­ção do ser­vi­ço, en­quan­to que as am­bu­lân­cias uti­li­za­das estão em es­ta­do de com­ple­to aban­do­no. O único setor que con­vi­ve com o pro­ble­ma de falta de mão de obra são os con­du­to­res que em sua maio­ria são ter­cei­ri­za­dos.

Fonte: CORREIO DA TARDE | URGENTE