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SUPERBACTÉRIA KPC PODERÁ CHEGAR AO RN

Geral

26.10.2010

CORREIO DA TARDE | CORREIO NATAL

Por: Alex Costa

Publicado no dia 25/10/10

  

Em en­tre­vis­ta no úl­ti­mo sá­ba­do (23), para a rádio CBN, Hênio La­cer­da, pre­si­den­te da So­cie­da­de Bra­si­lei­ra de In­fec­to­lo­gia do RN, pas­sou novas in­for­ma­ções sobre a su­per­bac­te­ria KPC (Kleb­siel­la Pneu­mo­niae Car­ba­pe­ne­ma­se) para a po­pu­la­ção norte-riograndense.

A KPC já che­gou ao Nor­des­te. De­pois dos 183 casos re­gis­tra­dos em Bra­sí­lia, a bac­té­ria já con­ta­mi­nou 18 pes­soas na Pa­raí­ba. Além disso, 150 casos no­ti­fi­ca­dos no Ceará estão sendo ana­li­sa­dos no La­bo­ra­tó­rio Cen­tral (Lacen) de For­ta­le­za. De acor­do com a Se­cre­ta­ria Es­ta­dual de Saúde Pú­bli­ca do RN, ne­nhum caso foi re­gis­tra­do no Es­ta­do até o mo­men­to.

O se­cre­tá­rio de saúde Geor­ge An­tu­nes irá reunir-se com re­pre­sen­
tan­tes da Sub­coor­de­na­do­ria de Vi­gi­lân­cia Epi­de­mio­ló­gi­ca do Es­ta­do na pró­xi­ma se­ma­na para de­fi­nir es­tra­té­gias de con­tro­le e com­ba­te à KPC no RN.

Hênio La­cer­da já havia fa­la­do sobre a pos­si­bi­li­da­de de uma bac­té­ria super-resistente sur­gir no Es­ta­do. Antes dos novos casos sur­gi­rem na Pa­raí­ba, ele não des­car­ta­va a pos­si­bi­li­da­de da bac­té­ria che­gar ao RN.

Além do Rio Gran­de do Norte, as se­cre­ta­rias de Saúde de Ron­dô­nia, Mato Gros­so, Mato Gros­so do Sul, Goiás, Ala­goas, Ma­ra­nhão e Ser­gi­pe não ti­ve­ram re­gis­tros da su­per­bac­té­ria. Casos de con­ta­mi­na­ção foram re­gis­tra­dos no Dis­tri­to Fe­de­ral, Pa­raí­ba, Ceará, São Paulo, Pa­ra­ná e Es­pí­ri­to Santo, se­gun­do le­van­ta­men­to rea­li­za­do pela Agên­cia Na­cio­nal de Vi­gi­lân­cia Sa­ni­tá­ria (An­vi­sa).

Ape­sar de ne­ga­rem a exis­tên­cia de in­fec­ções pela su­per­bac­té­ria, os go­ver­nos de Minas Ge­rais e do Rio Gran­de do Sul de­cre­ta­ram es­ta­do de aler­ta e ado­ta­ram me­di­das de pre­ven­ção nas uni­da­des hos­pi­ta­la­res. O Dis­tri­to Fe­de­ral tem o maior nú­me­ro de con­ta­mi­na­ções e mor­tes. São 183 casos re­gis­tra­dos em 17 hos­pi­tais – um au­men­to de quase 70% em menos de duas se­ma­nas – e 18 mor­tes.

Dos pa­cien­tes in­fec­ta­dos pela bac­té­ria no Dis­tri­to Fe­de­ral, 46 ti­ve­ram qua­dro de in­fec­ção e 61 con­ti­nuam in­ter­na­dos em hos­pi­tais pú­bli­cos e pri­va­dos. O sur­gi­men­to de casos re­la­cio­na­dos à KPC no Nor­des­te co­lo­cou o RN em aler­ta. O uso in­dis­cri­mi­na­do de an­ti­bió­ti­cos fora e den­tro dos hos­pi­tais é apon­ta­do por Hênio La­cer­da como uma das cau­sas para o sur­gi­men­to de su­per­bac­té­rias como a KPC.

Se­gun­do ele, há di­fe­ren­tes tipos de bac­té­rias super-resistentes, ou seja, imu­nes a an­ti­bió­ti­cos. "É pre­ci­so que a po­pu­la­ção es­te­ja cons­cien­te. Não com­pre me­di­ca­men­to sem re­cei­ta mé­di­ca, ou sem um diag­nós­ti­co pre­ci­so", disse Hênio. "Não se com­ba­te uma doen­ça viral com an­ti­bió­ti­co; isso só irá dei­xar a pes­soa mais vul­ne­rá­vel, ge­ran­do nas bac­té­rias uma adap­ta­ção e tornando-as super-resistentes", com­ple­tou.

Essas bac­té­rias podem apa­re­cer em qual­quer lugar de­vi­do ao uso ex­ces­si­vo de an­ti­mi­cro­bia­nos. Os mé­di­cos devem ser orien­ta­dos a pres­cre­ver an­ti­bió­ti­cos só quan­do ne­ces­sá­rio e os hos­pi­tais pre­ci­sam dis­por de uma 'reserva terapêutica', ou seja, um es­to­que dos an­ti­bió­ti­cos mais for­tes. "Eles são a úl­ti­ma arma de sal­va­ção dos pa­cien­tes que estão fra­gi­li­za­dos e em in­ter­na­ção", afir­mou Hênio. Se­gun­do o in­fec­to­lo­gis­ta, uma forma efi­caz de evi­tar a pro­pa­ga­ção de bac­té­rias em qual­quer am­bien­te é hi­gie­ni­zar sem­pre as mãos com água, sabão e ál­cool, além de tomar an­ti­bió­ti­co ape­nas com pres­cri­ção mé­di­ca, res­pei­tan­do ho­rá­rio, pe­río­do e do­sa­gem.

Outras doenças

Hênio La­cer­da falou ainda sobre as cam­pa­nhas de pre­ven­ção d a Den­gue, uma vez que o verão está che­gan­do e as chu­vas pas­sam a ser mais cons­tan­tes. Com o clima fa­vo­rá­vel, os focos co­me­çam a ser mais fre­quen­tes. "In­cen­ti­vo as co­mu­ni­da­des a não dei­xar água acu­mu­la­da em casa; aler­to às en­ti­da­des res­pon­sá­veis para não dei­xar para a úl­ti­ma hora o tra­ba­lho de aler­ta", disse.

Sur­gi­da em 1996, a Den­gue tipo 1 es­ta­va sob con­tro­le até o ano pas­sa­do, quan­do co­me­ça­ram a sur­gir novos casos iso­la­dos. "Exis­te uma preo­cu­pa­ção com o sur­gi­men­to do tipo 4 (he­mor­rá­gi­ca), se ambas sur­gi­rem ao mesmo tempo, as di­fi­cul­da­des para o tra­ta­men­to serão am­plia­das", aler­ta.

Sobre o vírus do Sa­ram­po, o in­fec­to­lo­gis­ta foi di­re­to: uma doen­ça er­ra­di­ca­da no sé­cu­lo XX, não de­ve­ria ter re­tor­na­do e afe­ta­do a po­pu­la­ção no­va­men­te. "Já exis­te va­ci­na. O que ocor­reu foi de­vi­do à de­sin­for­ma­ção da po­pu­la­ção em re­la­ção à va­ci­na­ção", disse.

Có­le­ra, tu­ber­cu­lo­se e va­ri­ce­la estão sob con­tro­le no Es­ta­do, mas o in­fec­to­lo­gis­ta acon­se­lha a a po­pu­la­ção a se in­for­mar sobre cada uma delas, suas for­mas de pre­ven­ção e tra­ta­men­to. "Estou dis­po­ní­vel, assim como qual­quer in­fec­to­lo­gis­ta, a aler­tar, tran­qui­li­zar e es­cla­re­cer a po­pu­la­ção sobre doen­ças con­ta­gio­sas; no de­mais, orien­to: não con­su­mam me­di­ca­men­tos sem um diag­nós­ti­co. Zelem pela pró­pria vida e pela vida do pró­xi­mo", con­cluiu.

Fonte: CORREIO DA TARDE | CORREIO NATAL