SUS muda tratamento de obesos
Geral
14.10.2012
São Paulo (AE) – Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou um conjunto de medidas sobre o tratamento da obesidade, que deverá ser colocado em prática a partir do próximo ano. Além da redução da idade mínima para fazer cirurgia de redução de estômago (de 18 para 16 anos), o pacote inclui a obrigatoriedade de cinco exames antes da operação e a oferta de mais uma cirurgia plástica, indicada para pacientes que perderam peso. Atualmente, pacientes podem fazer a correção do abdome. A técnica que o SUS passará a oferecer inclui reparação na área dorsal. A técnica usada para a cirurgia de redução também deverá ser alterada. A operação usada hoje, chamada de gastrectomia vertical em banda, traz um número alto de recidivas – pacientes, apesar de operados, voltam a engordar. A nova técnica, chamada de gastroplastia vertical em manga, de acordo com o ministro Alexandre Padilha, tem resultados melhores. O Sistema Único de Saúde também deverá começar a pagar uma equipe multidisciplinar, encarregada de fazer o tratamento. "Muitos serviços já ofertam esse tipo de assistência. Mas eles não recebiam pelo atendimento, algo que agora vai mudar", declarou Padilha. Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), uma das principais reivindicações é que exista um cadastro centralizado de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica pelo SUS. Hoje, a ausência desse mecanismo abre brecha para que pacientes se inscrevam em vários hospitais. "A sugestão é que se crie um sistema no Datasus capaz de gerenciar todo o cadastro para cirurgia bariátrica. Todo o paciente que pleiteia a cirurgia constaria em um banco de dados, o que facilitaria a gestão das políticas de saúde", afirma o cirurgião Irineu Rasera. Rasera é médico do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba, no interior paulista, que realizou, no ano passado, cerca de 500 cirurgias bariátricas e pretende fazer, neste ano, 700 procedimentos. "Hoje não sabemos o número de pacientes. Mesmo no meu serviço, que é muito bem organizado, não temos a informação exata de quantos pacientes estão na fila. Muitos estão duplicados. Tem alguns que estão na fila de Piracicaba, de Campinas e de Ribeirão Preto", diz. Outro ponto a ser melhorado, de acordo com a sociedade médica, é a priorização de pacientes mais graves. Rasera explica que as portarias atualmente vigentes preveem a existência de um escore para ranquear os pacientes mais graves e puxá-los para a frente na fila. Porém, de acordo com o especialista, essa determinação de gravidade é um procedimento muito complexo. Como consequência, o que prevalece na prática é a ordem na fila. Para o cirurgião Ricardo Cohen, presidente da SBCBM, seria importante que os pacientes diabéticos tivessem prioridade no atendimento. "São doentes que têm fator de risco cardiovascular grande e merecem ser operados com prioridade", diz. Pesquisas mostram que obesos com diabete do tipo 2, quando se submetem à cirurgia bariátrica, apresentam uma melhora relacionada não apenas à perda de peso, mas também à própria diabete. "O foco é que a sociedade médica deve estar perto do ministério para organizar as políticas públicas de saúde. A realidade que estamos vendo é a dificuldade no acesso à cirurgia, pacientes que acabam falecendo na fila de espera. Queremos ajudar dentro da experiência que temos na área", diz Rasera. Reprodução: Tribuna do Norte