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TRANSFERÊNCIA DE PACIENTES DEVERÁ ACABAR COM A SUPERLOTAÇÃO DO WALFREDO GURGEL

Geral

08.10.2010

CORREIO DA TARDE | URGENTE

Por: Michelle Phiffer

Publicado no dia 07/10/10 

A par­tir de um acor­do entre o Go­ver­no do Es­ta­do e o Mi­nis­té­rio Pú­bli­co, fir­ma­do na úl­ti­ma segunda-feira (4), o aten­di­men­to de baixa e média com­ple­xi­da­de em hos­pi­tais es­ta­duais será en­cer­ra­do e trans­fe­ri­do para os mu­ni­cí­pios. Essa é uma me­di­da para ten­tar di­mi­nuir o dé­fi­cit de lei­tos nos hos­pi­tais do Es­ta­do. A juíza Su­la­mi­ta Pa­che­co rea­li­zou uma au­diên­cia de con­ci­lia­ção em ga­bi­ne­te, en­vol­ven­do a pro­mo­to­ra de saúde, Iara Maria Pi­nhei­ro de Al­bu­quer­que, o se­cre­tá­rio es­ta­dual de Saúde, Geor­ge An­tu­nes de Oli­vei­ra, o pro­cu­ra­dor do Es­ta­do Mi­guel Jo­si­no Neto e as di­re­to­ras do Hos­pi­tal Mon­se­nhor Wal­fre­do Gur­gel. O ob­je­ti­vo da au­diên­cia foi ten­tar so­lu­cio­nar o pro­ble­ma de lo­ta­ção dos cor­re­do­res de hos­pi­tais pú­bli­cos com pa­cien­tes em macas.

Na au­diên­cia, Mi­guel Jo­si­no Neto fe­chou acor­do que ga­ran­te o fun­cio­na­men­to ade­qua­do do Hos­pi­tal Wal­fre­do Gur­gel por meio de vá­rias me­di­das. A mais ur­gen­te será rea­li­za­da no prazo de 30 dias, com a trans­fe­rên­cia de 50 pa­cien­tes da clí­ni­ca mé­di­ca para o Hos­pi­tal Rui Pe­rei­ra – an­ti­go ITORN. O Es­ta­do tam­bém se com­pro­me­teu a co­lo­car mais 10 lei­tos de in­ter­na­ção de or­to­pe­dia no Hos­pi­tal Deo­clé­cio Mar­ques de Lu­ce­na, em Par­na­mi­rim.

Ficou acor­da­do tam­bém que, no prazo de 60 dias, o Es­ta­do fe­cha­rá os pronto-atendimentos (PAs) exis­ten­tes nos hos­pi­tais re­gio­nais de Pau dos Fer­ros, Assú, Par­na­mi­rim, Ma­caí­ba, Natal (Hos­pi­tais Wal­fre­do Gur­gel, Gi­sel­da Tri­guei­ro, Maria Alice Fer­nan­des e José Pedro Be­zer­ra), Caicó e Cur­rais Novos, as­se­gu­ran­do, no mesmo prazo, lei­tos para in­ter­na­ção hos­pi­ta­lar de clí­ni­ca mé­di­ca aos mu­ni­cí­pios das re­giões ci­ta­das, es­va­zian­do os cor­re­do­res do Wal­fre­do e re­ti­ran­do todos os pa­cien­tes das macas.

Se­gun­do Mi­guel Jo­si­no, o fe­cha­men­to des­ses PAs acom­pa­nha as di­re­tri­zes da Lei de Mu­ni­ci­pa­li­za­ção da Saúde, que atri­bui aos ges­to­res de cada ci­da­de a ga­ran­tia de aten­di­men­to à saúde de acor­do com as ne­ces­si­da­des lo­cais. "Os hos­pi­tais re­gio­nais são de pro­prie­da­de do Es­ta­do, mas cabe às pre­fei­tu­ras a ma­nu­ten­ção e for­ne­ci­men­to dos pro­fis­sio­nais. A par­tir do acor­do rea­li­za­do, o Es­ta­do dei­xa­rá de ser res­pon­sá­vel pelas uni­da­des", ex­pli­ca. O pro­cu­ra­dor afir­ma que a me­di­da será im­por­tan­te por­que con­fe­re aos pre­fei­tos ofe­re­cer aten­di­men­to em casos de menor com­ple­xi­da­de e evi­tar que sejam en­via­dos aos hos­pi­tais da ca­pi­tal. Os casos de gran­de com­ple­xi­da­de con­ti­nuam a ser en­ca­mi­nha­dos aos hos­pi­tais Wal­fre­do Gur­gel, Gi­sel­da Tri­guei­ro, Maria Alice Fer­nan­des e José Pedro Be­zer­ra.

O Mi­nis­té­rio Pú­bli­co se com­pro­me­teu a, no prazo de 15 dias, pro­mo­ver uma reu­nião em Natal com todos os pre­fei­tos, se­cre­tá­rios de saúde e pro­mo­to­res dos mu­ni­cí­pios men­cio­na­dos a fim de es­cla­re­cer as suas res­pon­sa­bi­li­da­des cons­ti­tu­cio­nais e le­gais, es­pe­cial­men­te no que se re­fe­re ao Pronto-Atendimento dos mu­ni­cí­pios, que deixa de ser res­pon­sa­bi­li­da­de do Es­ta­do.

A Se­cre­ta­ria Es­ta­dual de Saúde, em nota di­vul­ga­da à im­pren­sa, disse que quan­do o Hos­pi­tal Wal­fre­do Gur­gel pas­sar a re­ce­ber so­men­te a de­man­da que lhe cabe, ou seja, aque­les pa­cien­tes de maior gra­vi­da­de, po­de­rá oferecer-lhes de forma ade­qua­da os pri­mei­ros cui­da­dos de alta com­ple­xi­da­de para então encaminhá-los às uni­da­des mu­ni­ci­pais aptas a tratá-los, evi­tan­do a su­per­lo­ta­ção.
A teo­ria diz que, com mais lei­tos para in­ter­na­ção nos hos­pi­tais re­gio­nais, menos gente pre­ci­sa­rá se des­lo­car do in­te­rior para Natal. Se­gun­do dados do Samu Natal, há pou­cas op­ções de aten­di­men­to para os pa­cien­tes em Natal. Por isso, mais de 30% dos casos do Samu vão parar no Wal­fre­do. É con­tra isso que foi apli­ca­da a me­di­da da Sesap e MP. Não custa lem­brar que o acor­do é fruto da mais an­ti­ga ação do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co, em 1999, para o fim das macas nos cor­re­do­res. A ação já foi rea­li­za­da por vá­rias vezes, mas em se­gui­da volta o aglo­me­ra­do. "Com o ata­que a um dos cau­sa­do­res da su­per­lo­ta­ção, há es­pe­ran­ça de me­lho­ra", afir­mou o pro­cu­ra­dor.

A di­re­ção do Wal­fre­do disse, por meio de sua as­ses­so­ria, que es­pe­ra que acon­te­ça uma me­lho­ra nessa si­tua­ção a par­tir des­sas me­di­das.

Prazo curto

"As pre­fei­tu­ras não têm como as­su­mir a res­pon­sa­bi­li­da­de dos pronto-atendimentos no prazo fi­xa­do pela Jus­ti­ça", afir­mou a pre­si­den­te do Con­se­lho Es­ta­dual de Se­cre­tá­rios Mu­ni­ci­pais de Saúde (Co­sems), So­la­ne Costa.

Os mu­ni­cí­pios têm a res­pon­sa­bi­li­da­de, fi­xa­da em Lei Fe­de­ral há mais de 20 anos, em cui­dar dos casos mais sim­ples. Dessa forma, os Es­ta­dos te­riam que arcar com a cha­ma­da alta com­ple­xi­da­de, as si­tua­ções mais gra­ves. Con­tu­do, a lei nunca foi cum­pri­da in­te­gral­men­te, se­gun­do a Se­cre­ta­ria Es­ta­dual de Saúde. E esse é um dos mo­ti­vos para o in­ter­mi­ná­vel pro­ble­ma de su­per­lo­ta­ção do Wal­fre­do Gur­gel.

Os ar­gu­men­tos uti­li­za­dos pelo Go­ver­no e pelo MP não são ques­tio­na­dos por se­cre­tá­rios de saúde e pre­fei­tos dos mu­ni­cí­pios afe­ta­dos. O mo­ti­vo, dizem, é justo, mesmo assim, um pro­ble­ma mais prá­ti­co e ime­dia­to se impõe. "Como es­tru­tu­rar em 60 dias o que não foi feito em vá­rios anos. Nós não temos ime­dia­ta­men­te essa ca­pa­ci­da­de, é algo que pre­ci­sa ser dis­cu­ti­do para se che­gar a uma de­ci­são mais ra­zoá­vel para todas as par­tes. In­clu­si­ve com a pos­si­bi­li­da­de de co-gestão entre Es­ta­do e Mu­ni­cí­pios", diz So­la­ne.
Entre os ar­gu­men­tos uti­li­za­dos pelos re­pre­sen­tan­tes das pre­fei­tu­ras, as di­fi­cul­da­des fi­nan­cei­ras têm po­si­ção de des­ta­que. A queda do re­pas­se do Fundo da Par­ti­ci­pa­ção dos Mu­ni­cí­pios e a re­sis­tên­cia dos mé­di­cos em ir tra­ba­lhar no in­te­rior do Es­ta­do con­tri­buem para isso.

O acor­do ainda pode ser ajus­ta­do, se­gun­do a as­ses­so­ria téc­ni­ca do Tri­bu­nal de Jus­ti­ça, res­pon­sá­vel por va­li­dar o acor­do. Em até 15 dias, con­ta­dos a par­tir da úl­ti­ma segunda-feira, todos os pre­fei­tos e se­cre­tá­rios de saúde irão se reu­nir com a Sesap e a pro­mo­to­ra da Saúde, Iara Pi­nhei­ro.

Fonte: CORREIO DA TARDE | URGENTE