UTI cardiológica segue fechada
Geral
05.09.2012
Após 60 dias da decretação de estado de calamidade na saúde pública com o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel ainda em grave crise, sem receber pacientes em sua UTI cardiológica, muito menos os recursos devidos do plano de enfrentamento da saúde, a situação se mantém preocupante.
Segundo dados da assessoria de imprensa do hospital, até ontem 30 pacientes de UTI estavam internados, distribuídos em setores como o de observação clínica e politrauma. Já na UTI cardiológica, o problema é mais complexo. De acordo com o responsável pela unidade, o médico George Fonseca, é necessária uma manutenção no abastecimento dos medicamentos para que os profissionais não sejam responsabilizados pelas mortes dos pacientes decorrentes da descontinuidade do tratamento.
George Fonseca conta que esta não é a primeira vez que a UTI cardiológica interrompe suas atividades por falta de condições de trabalho. Mesmo após ter recebido na última sexta-feira os 14 itens solicitados pelos médicosdo setor, a quantidade de medicamentos enviada deve durar apenas uma semana, o que deixa os profissionais receosos de retomarem a normalidade dos atendimentos na UTI. Apenas um paciente segue internado devido à gravidade de seu quadro.
Os profissionais do setor querem garantias de que os medicamentos continuarão sendo entregues. “Das outras vezes, abasteceram, em uma semana o medicamento acabou e o paciente morreu. Não queremos ter essas mortes em nossas mãos”, diz George Fonseca.
Segundo o responsável pela UTI cardiológica do maior hospital público do estado, muitas vezes os médicos tiram do próprio bolso o dinheiro para os medicamentos dos pacientes e enfermeiras chegam a fazer “cotinhas” para comprar os remédios necessários para a vida dos doentes. Para George Fonseca o mais difícil é ver a população tão penalizada. “Muitas vezes vemos as famílias, sem condição alguma, tendo que comprar do próprio bolso o dinheiro para os medicamentos do paciente, que estão em falta”, relata.
Estava prevista para ocorreràs 19h de ontem uma reunião entre a equipe médica da UTI cardiológica, que possui nove cardiologistas e um cirurgião cardíaco, e a diretora médica do HWG para decidir os rumos das atividades da UTI. George Fonseca adiantou ao Diário de Natal que provavelmente será dado um novo voto de confiança à diretoria e à Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), mas é necessário que haja garantias da continuidade do abastecimento dos medicamentos ao setor.
De acordo com informações da assessoria de imprensa do HWG, ontem, 60 pacientes da ortopedia aguardavam transferências. Desses, apenas 20 chegaram a ser transferidos para o Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim. Ainda ontem, 69 pacientes eram mantidos em macas nos corredores do Walfredo Gurgel.
Reprodução: Diário de Natal