UTI NEONATAL DA CASA DE SAÚDE DIX-SEPT ROSADO PASSARÁ A ATENDER MOSSORÓ E REGIÃO COM TRÊS LEITOS
Geral
19.10.2010
O MOSSOROENSE | COTIDIANO
Publicado no dia 19/10/10
A Casa de Saúde Dix-sept Rosado enviou ontem, 18, um comunicado à imprensa no qual informava: a partir do dia 29 deste mês, a UTI Neonatal do complexo hospitalar – a única da região Oeste – vai passar a atender somente leitos credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até o momento, isso significa que, em novembro, apenas três leitos estarão disponíveis para esse tipo de atendimento na região.
De acordo com o diretor do hospital, André Neo, a decisão foi tomada por causa da proporção irregular entre serviços solicitados e recursos disponíveis. O diretor afirma que, há mais de 18 meses, a Casa de Saúde tem arcado com custos e responsabilidades dos leitos não-credenciados – o que tornou a situação financeiramente insustentável para o hospital. O prejuízo, segundo André, chega a R$ 16 mil por mês.
"O quadro se torna ainda mais grave com o não-pagamento de serviços prestados e faturados para o SUS, a chamada 'glosa', que já chegou a somar em um único mês uma quantia superior a R$ 89 mil", conta o diretor.
"Chegamos a ter picos de atender até nove crianças por dia, número muito acima da capacidade do hospital. Além disso, muitas vezes esses menores vêm de outras cidades sem nenhum histórico hospitalar e sem auxílio médico. Apesar disso, temos arcado com todos os serviços", afirma.
O diretor diz que está à frente do hospital há apenas dois meses. Contudo, conta que já presenciou cenas dramáticas, como a de um menino que chegou de Assú sem oxigênio, sem histórico e sem nenhum monitoramento médico durante a viagem até Mossoró. "A criança chegou ao hospital praticamente morta, não tem como suportar. É um absurdo".
Para amenizar a situação, André Neo afirma que a Casa de Saúde equipou mais quatro leitos de UTI Neonatal no mês passado. Ainda em setembro, solicitou à Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) e à Coordenadoria de Planejamento e Controle de Sistema o credenciamento do serviço ao SUS. Até agora, nenhuma providência foi tomada por parte do poder público.
Ontem, 18, o diretor entregou na Secretaria Municipal de Saúde um ofício para reiterar a solicitação de providências. A equipe de reportagem do jornal O Mossoroense tentou entrar em contato com a secretária municipal de Saúde, Jacqueline Amaral, para saber seu posicionamento sobre o caso do hospital. A titular da pasta disse, no entanto, que não poderia atender nossa equipe de reportagem para falar sobre o assunto. Alegou estar muito ocupada.