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Julho Verde 360 reforça integração e diagnóstico precoce no combate ao câncer de cabeça e pescoço

Notícias

13.07.2026

Julho Verde 360 reforça integração e diagnóstico precoce no combate ao câncer de cabeça e pescoço

Campanha chama atenção para a importância da atuação conjunta entre profissionais de saúde, instituições e sociedade; quando descobertos em fase inicial, tumores podem alcançar até 90% de chance de cura

“Julho Verde 360 – Integração para transformar o futuro”. Com esse tema, a campanha Julho Verde amplia, neste ano, o alerta sobre a prevenção e o diagnóstico precoce dos cânceres de cabeça e pescoço e propõe uma mobilização coletiva para transformar o cenário da doença no Brasil. A iniciativa parte do entendimento de que enfrentar esses tumores exige mais do que ações isoladas: é necessário integrar profissionais de diferentes especialidades, instituições, pesquisadores, gestores, pacientes, familiares, empresas e toda a sociedade.

Os números reforçam a urgência dessa mobilização. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), quando diagnosticados em fase inicial, os cânceres de cabeça e pescoço podem alcançar até 90% de chance de cura. Apesar disso, muitos pacientes ainda chegam aos serviços especializados com a doença em estágio avançado, o que torna o tratamento mais complexo e pode reduzir as possibilidades de recuperação.

Para o cirurgião de cabeça e pescoço e diretor da Coopmed-RN, Dr. Luís Eduardo Barbalho, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios enfrentados na prática médica.

“Como cirurgião de cabeça e pescoço, eu enfrento diariamente o mesmo desafio no consultório: a grande maioria dos tumores na nossa área é descoberta em estágio avançado. Isso acontece, muitas vezes, porque os primeiros sinais são ignorados ou confundidos com problemas mais simples. Quanto mais cedo investigamos uma alteração persistente, maiores são as possibilidades de um tratamento menos agressivo e com melhores resultados”, afirma.

O alerta do Julho Verde ocorre em um momento de crescimento da incidência do câncer no país. O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos da doença por ano até 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma, que apresentam alta incidência, mas baixa letalidade, a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais.

Os dados fazem parte da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Dia Mundial do Câncer. As previsões confirmam que a doença vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, aproximando-se das doenças cardiovasculares.

O cenário é influenciado por fatores como o envelhecimento da população, as desigualdades regionais e os desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento em tempo oportuno. Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente. Entre as mulheres, predominam, em ordem de incidência, os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

A presença dos tumores da cavidade oral entre os cinco mais incidentes nos homens e do câncer de tireoide entre os mais frequentes nas mulheres reforça a importância da conscientização sobre os cânceres que atingem a região da cabeça e do pescoço.

Dados anteriores do INCA já estimavam 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil, considerando os tumores da cavidade oral, tireoide e laringe. Quando somado o melanoma de pele, que também pode atingir essa região, o número chegava a 48.530 casos.

As estimativas mostravam ainda que as regiões Sudeste e Nordeste concentravam o maior número de casos. O Sudeste liderava com 20.470 registros estimados, seguido pelo Nordeste, com 10.070. Na sequência apareciam as regiões Sul, com 4.830 casos; Centro-Oeste, com 2.760; e Norte, com 1.420.

Diante desse cenário, a campanha chama atenção para sinais que não devem ser ignorados. Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade ou dor para engolir, caroços no pescoço, alterações na voz, manchas brancas ou avermelhadas na boca e lesões na pele são sintomas que precisam ser avaliados, especialmente quando persistem por mais de duas ou três semanas.

“O grande recado do Julho Verde é que informação também salva vidas. Uma ferida que não cicatriza, uma rouquidão prolongada ou um caroço no pescoço não devem ser normalizados. Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados. O tempo faz diferença e pode mudar completamente a história do paciente”, ressalta Dr. Luís Eduardo Barbalho.

O conceito do Julho Verde 360 nasce justamente da necessidade de ampliar esse olhar. Mais do que uma campanha pontual de conscientização, a proposta foi concebida como uma plataforma permanente de informação e mobilização, conectando conhecimento científico, educação em saúde e conscientização pública.

O objetivo é fortalecer o diálogo entre os diferentes atores envolvidos no cuidado, estimular a atuação integrada e ampliar o acesso da população a informações qualificadas e baseadas em evidências. Nesse contexto, o conceito de “360” representa uma visão ampla sobre o enfrentamento da doença, que começa na prevenção, passa pelo reconhecimento dos sinais e pelo diagnóstico precoce e se estende ao tratamento, à reabilitação e ao acompanhamento do paciente.

Segundo Dr. Luís Eduardo Barbalho, essa integração é essencial porque o cuidado com o paciente com câncer de cabeça e pescoço envolve diferentes áreas da saúde.

“O paciente precisa estar no centro de uma rede de cuidado. Cirurgiões, oncologistas, radioterapeutas, dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais têm papéis importantes em diferentes etapas. Quando existe integração, conseguimos oferecer um cuidado mais completo, desde o diagnóstico até a reabilitação e a retomada da qualidade de vida”, explica.

Entre os principais fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço estão o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A infecção pelo HPV também está relacionada a parte dos casos, especialmente aos tumores da orofaringe. Por isso, medidas de prevenção, vacinação, acompanhamento regular da saúde e atenção aos sinais persistentes são fundamentais.

Como diretor da Coopmed-RN, Dr. Luís Eduardo Barbalho também destaca a importância de envolver instituições e profissionais de saúde na disseminação de informações confiáveis. Para ele, campanhas como o Julho Verde contribuem para aproximar o conhecimento médico da população e estimular uma mudança de comportamento.

“Precisamos fazer a informação chegar às pessoas de forma clara e responsável. O câncer de cabeça e pescoço pode ser silencioso no início, mas muitas vezes apresenta sinais que o próprio paciente consegue perceber. Nosso desafio é fazer com que esses sintomas sejam reconhecidos e que a busca por atendimento aconteça o quanto antes”, reforça.

Ao propor integração para transformar o futuro, o Julho Verde 360 amplia a responsabilidade pelo enfrentamento da doença. O diagnóstico precoce depende do acesso aos serviços de saúde, mas também de uma população bem informada, de profissionais atentos e de uma rede preparada para acolher e conduzir o paciente com agilidade.

A mensagem central da campanha é clara: reconhecer os sinais, procurar avaliação médica e agir cedo pode salvar vidas. Em um cenário em que o Brasil caminha para registrar 781 mil novos casos de câncer por ano, transformar o futuro dos cânceres de cabeça e pescoço passa, necessariamente, pela união entre ciência, assistência, informação e sociedade.